quinta-feira, 3 de abril de 2014

ESPAÇOS URBANOS

Redescobrindo praças públicas, bosques, parques e memoriais de Paranavaí

Redescobrindo praças públicas, bosques,  parques e memoriais de ParanavaíAspectos da Praça Sinval Reis (Foto: Fabiano Fracarolli)

O Diario do Noroeste focaliza hoje, nesta série, uma das praças mais centrais da cidade.
5) Praça Sinval Reis
Lei 341/64, sancionada em 23 de novembro de 1964 pelo prefeito Antonio José Messias, no mesmo dia da inauguração, denomina de Praça Juiz Sinval Reis a praça localizada entre as atuais Ruas Marechal Cândido Rondon, Antonio Felippe, Bahia e Travessa Sérgio V. de Morais. 
O local serviu para a construção do primeiro hospital de Paranavaí, em fins da década de 40, o Hospital do Estado João Cândido Ferreira.
De desenho simétrico, apresenta em seu centro um chafariz em formato de xícara, um dos poucos elementos escultóricos que podem ser classificados como patrimônio histórico da cidade, pois representa o ápice da cultura cafeeira na região.
Por esse motivo é conhecida popularmente como “Praça da Xícara”. Contudo, apesar do papel importante que exerce na cidade, tal elemento ficou alguns anos desativado, até ser revitalizado pela administração municipal do prefeito Rogério José Lorenzetti. 
SINVAL REIS - O homenageado com o nome da Praça Sinval Reis nasceu no dia 13 de abril de 1909, na cidade de São João do Nepomuceno-Minas Gerais. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Niterói-Rio de Janeiro, em 1945. Casou-se com Iracema Nalin e teve quatro filhos: Dayse Nalin Reis Castella (in memoriam), Marlene Reis Belizário (in memoriam), Clayton Reis e Mayse Reis Borin.
Antes do seu ingresso na Magistratura no Estado do Paraná, serviu nas Forças Armadas do Brasil como militar da arma de infantaria, tendo servido no período de 28 anos, no Estado de Minas Gerais, tendo sido sargento responsável pelos Tiros de Guerra nas cidades de Ubá, Pará de Minas, Uberlândia, Ouro Fino, Dores do Indaiá e no Quartel General de Belo Horizonte.
Posteriormente, prestou Concurso de Títulos e Provas para o ingresso na Magistratura Paranaense, tendo sido nomeado juiz de Direito substituto da Seção Judiciária de Apucarana, em março de 1951. Nessa ocasião permaneceu nessa cidade por dois anos e meio, tendo sido juiz substituto nas Comarcas de Campo Mourão, Mandaguari e Arapongas. 
Em 1953 foi nomeado como juiz titular para responder pela Comarca de Pitanga e, logo em seguida, foi removido para a Comarca de Rebouças. Em março de 1954, com a criação da Comarca de Paranavaí, foi designado para sua instalação. Aposentou-se em Paranavaí, então Comarca de 4ª Entrância, com proventos equivalentes ao de juiz de Direito de Entrância Especial, em março de 1961.
Em Paranavaí foi o instituidor e fundador de diversas obras filantrópicas, dentre elas se destacam as seguintes: Casa da Criança de Paranavaí, posteriormente denominada Lar Escola das Meninas de Paranavai e Aldeia Escola dos Meninos de Paranavaí (instituição que chegou a abrigar mais de 150 crianças órfãs e abandonadas da região do Norte e Noroeste do Paraná na época); da Santa Casa de Misercórdia de Paranavaí, instituição destinada ao atendimento de indigentes no meio hospitalar da cidade de Paranavaí e região Noroeste do Paraná, representando na atualidade um dos hospitais mais bem estruturados e aparelhados do Estado; do Asilo de Velhos Lins de Vasconcelos de Paranavaí, instituição que durante décadas atendeu e contínua atendendo pessoas idosas menos favorecidas pela sorte, na região Noroeste do Paraná; do Albergue Noturno de Paranavaí, entidade de caráter filantrópico que sempre atendeu aos desabrigados da cidade e região.
Além dessas entidades filantrópicas fundou e instituiu o Ginásio Humberto de Campos, destinado a atender alunos do ensino fundamental, bem como a Escola Normal Maria Ruth Junqueira e o Conservatório de Música João Ghignone, sendo que essas entidades educacionais se encontravam ligadas à Aldeia e Lar Escola dos Meninos e Meninas de Paranavaí, cujos rendimentos eram destinados às instituições filantrópicas, bem como atendiam igualmente aos menores acolhidos no Lar Escola e na Aldeia Escola de Paranavaí.
Sinval Reis também participou e contribuiu ativamente para a criação do Ginásio Estadual de Paranavaí, atual Colégio Estadual de Paranavaí, e da Faculdade Municipal de Filosofia, Ciências e Letras de Paranavaí, atual Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranavaí (Fafipa/Unespar).
Em homenagem às obras filantrópicas e outras realizadas em Paranavaí, a comunidade local, através da Câmara Municipal, outorgou-lhe o título Póst-Mortem de Cidadão Honorário de Paranavaí, recebido pela sua esposa Iracema Nalin Reis, em nome da família, bem como conferiu o nome Sinval Reis à praça da cidade onde foi erigido um busto em homenagem ao seu benfeitor.
Em janeiro de 1980 foi inaugurado o novo Forum da Comarca de Paranavaí, quando o Tribunal de Justiça do Paraná homenageou o ex-magistrado e primeiro juiz da Comarca, conferindo à sede do Poder Judiciário local o nome de Forum Dr. Sinval Reis.
Sinval Reis faleceu na cidade de Paranavaí devido a uma síncope cardíaca em 17 de setembro de 1963 e se encontra sepultado no Cemitério Municipal.
Área original da praça: 4.827m².
(Na edição de domingo, 06/04, a Praça Rotary)

Fonte: SAUL BOGONI - sbogoni@diariodonoroeste.com.br

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