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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

GOVERNO DE SP ENCONTRA NOVA RESERVA NO CANTAREIRA

              
O governo de São Paulo encontrou, abaixo do atual nível de captação do Sistema Cantareira, uma nova reserva de água – e que pode representar a quarta cota do volume morto do reservatório, informa reportagem desta terça-feira (09) do jornal Folha de S. Paulo. A reserva, contudo, está em local de difícil acesso, e técnicos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) ainda avaliam se é possível captar água dali.
Segundo o jornal, a dimensão da reserva ainda não foi calculada, mas estima-se que seja similar à da terceira cota do volume morto, cerca de 40 bilhões de litros. De acordo com a reportagem, o uso da nova reserva representaria um acréscimo de cinco pontos porcentuais no total do sistema, o equivalente a um mês e meio de fornecimento de água.
Com o sistema atualmente operando com 5,9% da capacidade – já incluídas a primeira e segunda cotas –, o governo Geraldo Alkmin (PSDB) avalia utilizar o terceiro volume morto durante o período de seca, que começa em março.
O Cantareira abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo, sobretudo nas zonas Norte e Leste. E é justamente nas regiões atendidas pelo manancial que deve ter início o rodizio de água. O formato do racionamento, contudo, ainda não foi decidido pela Sabesp, que estuda cortar entre cinco e quatro dias por semana o abastecimento para dois dias com água.
Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas

SEM FOLIA

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As cidades que cancelaram o Carnaval porque não têm água                                                            


                                                                                                                        Hesíodo Góes/PCR/Creative Commons






















Carnaval está chegando e muitas cidades se preparam para festa. Mas não todas. Com a crise de abastecimento de água que atinge principalmente o Sudeste do país, alguns municípios decidiram que, em 2015, não vão pular o Carnaval.

Ao menos nove prefeituras resolveram cancelar a festa por conta da falta de água. A maioria está em Minas Gerais, mas também há municípios de São Paulo nessa lista.

As administrações afirmam que a presença dos turistas poderia aumentar muito o consumo de água nessas localidades, gerando problemas de abastecimento no futuro. Em algumas delas, os moradores inclusive já convivem com racionamento.

Veja, nas fotos, quais cidades cancelaram o Carnaval devido à crise hídrica

CARMO DA MATA (MG)
A prefeitura da cidade mineira decidiu cancelar o Carnaval este ano, com medo de que faltasse água para os cidadãos. O município fica na região centro-oeste de Minas Gerais. Além da crise hídrica, a prefeitura diz que a preocupação com a segurança da cidade e a preocupação com situação financeira do município justificam a medida.

“Com esse grande período de estiagem, nossos reservatórios já começam a mostrar uma baixa significativa, com a possibilidade de racionamento de água. Diante disso, a realização da festividade poderia gerar um consumo muito elevado de água e, consequentemente, prejudicar o abastecimento da cidade”, diz o comunicado da administração.

As preocupações com segurança se dão principalmente por conta do cancelamento do Carnaval nas cidades vizinhas. Para a prefeitura, isso poderia gerar uma demanda de turistas maior do que a cidade pode suportar.

CARMÓPOLIS DE MINAS (MG)
Outra cidade que optou por cancelar o Carnaval com medo de receber toda a demanda de foliões da região do centro-oeste de Minas Gerais. Segundo a prefeitura, uma superlotação de turistas poderia causar problemas de segurança e também desabastecimento de água. “O município está se precavendo de possíveis racionamentos ou falta de água como os vivenciados por vários municípios, devido ao baixo volume de chuvas”, diz a nota da prefeitura.

ITABIRA (MG)
Com os reservatórios já no volume morto e as contas apertadas, Itabira também decidiu cancelar a festa. De acordo com a prefeitura, a cidade já vive um racionamento. Com a festa do Carnaval, a demanda por água seria maior, o que poderia gerar mais transtornos no futuro. “Não sabemos ao certo quanto tempo mais esta seca vai durar e quanto ela poderá nos obrigar a investir imediatamente para minimizar seu impacto”, afirmou o prefeito Damon Lázaro de Sena. 

ITAGUARÁ (MG)
Itaguará foi outra cidade mineira que cancelou o Carnaval este ano por medo de faltar água para a população. O município decretou estado de emergência devido à seca e vive “uma clara possibilidade de racionamento de água”, diz o comunicado da prefeitura. Além do consumo extra dos turistas, a festa também demandaria água para a limpeza das ruas, lembra a administração. Sendo assim, decidiu-se por cancelar a folia.

ITAPECERICA (MG)
Assim como suas vizinhas da região centro-oeste de Minas Gerais, Itapecerica também resolveu cancelar a festa com medo de que faltasse água para os cidadãos. Um dos fatores que contribuíram para a decisão foi o fato de que outras cidades vizinhas também haviam cancelado suas festas, o que, segundo a prefeitura, poderia levar ainda mais foliões a Itapecerica. No ano passado, a cidade recebeu cerca de 20 mil turistas.

“Considerando que o aumento significativo de pessoas no município poderá desencadear uma séria crise de abastecimento de água tratada à população, a prefeitura municipal resolveu que não haverá o Carnaval Itabeleza 2015”, diz comunicado da prefeitura.

OLIVEIRA (MG)
Outra cidade da região centro-oeste de Minas Gerais que optou por cancelar a folia em 2015. De acordo com a prefeitura, os moradores de Oliveira já estão sob racionamento, e uma festa como o Carnaval agravaria ainda mais o problema do abastecimento e água.

Além da crise hídrica, outro fator que levou ao cancelamento é a situação financeira do município. A prefeitura diz que tem dificuldades em arcar com os gastos na área de saúde e com o pagamento de seus servidores. Sendo assim, “manter a realização de tais festividades não seria, no mínimo, prudente”, diz comunicado da administração.

SÃO FRANCISCO DE PAULA (MG)
Também na região do centro-oeste mineiro, São Francisco de Paula optou seguir os municípios vizinhos e cancelar o Carnaval 2015. A prefeitura temia que, com o cancelamento da festa em outras cidades da região, muitos turistas procurassem o Carnaval de São Francisco, gerando maior consumo de água e problemas de segurança pública.

ARARAS (SP)
Municípios do estado de São Paulo também vão ficar sem Carnaval. Em Araras, a 168 km da capital paulista, os desfiles de escolas de samba e blocos foram cancelados devido à crise de abastecimento de água.

“Nossa decisão é um ato de respeito a esse momento crítico vivenciado pela população e o governo devido à crise hídrica. Nós, de maneira alguma, deixamos de reconhecer o valor cultural do Carnaval”, disse o prefeito Nelson Brambilla.

CORDEIRÓPOLIS (SP)
Com o agravamento da crise hídrica, a cidade de Cordeirópolis também cancelou a folia em 2015. Inicialmente, o município faria uma festa menor. Mas, com a desistência de um dos blocos de rua, decidiu-se então por cancelar de vez o Carnaval. A prefeitura afirma que, devido ao calor, a demanda por água tem crescido mais do que a capacidade de reposição do sistema.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

SECA GRANDE SERTÃO PAULISTA A SECA AFETA SEIS MILHÕES DE PESSOAS, CAUSA DOENÇAS, PREJUÍZO DE 200 MILHÕES DE REAIS E SAQUES



Ruas sujas e empoeiradas, banhos diários 
Ruas sujas e empoeiradas, banhos diários de caneca, prejuízo no comércio, surto de doenças e ânimos inflamados. Eis a rotina de aproximadamente 6 milhões de moradores do grupo de 37 municípios no interior mais afetados pela seca. As prefeituras de Tambaú e Cordeirópolis decretaram estado de calamidade pública, que caracteriza desastres de grande porte responsáveis por esgotar os recursos da administração local. Artur Nogueira, Casa Branca e Valinhos estão em situação de emergência, um estágio mais brando diante de uma fatalidade. Na prática, funciona como um aviso de alerta à população. Em Itu, outra cidade bastante atingida, ocorrem cenas dignas dos filmes apocalípticos de Hollywood sobre o esgotamento de recursos naturais. No local, os caminhões-pipa passaram a receber escolta da polícia depois da ocorrência de assaltos.
Localizada no nordeste paulista e distante 270 quilômetros da capital, Tambaú é uma das cidades que mais sofrem com a estiagem. Seus 23 500 moradores enfrentam um surto de dengue e virose porque muita gente, na afobação, tem estocado água de qualquer jeito. Em abril, começou o racionamento. No início, o fornecimento ocorria dia sim, dia não. Há três meses, a política ficou mais severa. Agora, as torneiras permanecem vazias durante 48 horas e são abastecidas por dezessete. 
Segundo a Associação Industrial e Comercial de Tambaú, a cidade acumula um prejuízo de mais de 4 milhões de reais. "Falta água para produzir cerâmica, o principal item da economia do nosso município. As empresas acabam demitindo funcionários, e isso gera recessão", diz Marcos Stocco, presidente da entidade. A cidade tem 65 fábricas nesse setor e, segundo dados do sindicato dos trabalhadores da categoria no local, cerca de 25% dos 4 000 empregados foram demitidos neste ano.
Fernando Moraes
Renô Sumeira, ceramista em Tambaú há 20 anos, sofre com a crise. Água é fundamental na elaboração das telhas. Com o tempo quente, o gasto pulou de 500 litros para 2000 litros por dia. Para piorar, as duas minas de seu terreno secaram. "Só consigo trabalhar porque os vizinhos me dão água", diz. Até o ano passado, ele produzia por mês 300 000 peças e faturava mais de 70 000 reais. Hoje, fabrica no mesmo período 20 000 telhas e o rendimento caiu para 35 000 reais. "Corro o risco de fechar".
A região é abastecida por duas represas. Uma delas secou completamente em julho e a outra só não tem o mesmo destino porque diariamente caminhões-pipa enchem o local com água do Rio Macuco, manobra custeada com parte da ajuda de 2 milhões de reais recebida do governo do estado. Mas, para resolver o transtorno de vez, as autoridades estimam um investimento de 15 milhões de reais para reformar o encanamento de Tambaú, datado de 1930 e administrado pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Demaet), que teve poucos investimentos ao longo das últimas décadas. 
"O problema não começou agora, mas a população não entende. Sou xingado nas ruas, furaram os pneus do meu carro e houve manifestação na frente da minha casa", reclama o prefeito Roni Donizetti Astorfo. A exemplo de seus conterrâneos, ele garante ter mudado a rotina para economizar. "Desde agosto, só me lavo de caneca e reutilizo a água do banho para dar descarga", conta. "Também faço a barba dia sim, dia não".
Além dessas medidas práticas, Astorfo, que vem de uma família bastante religiosa, apela para outras forças. Tem andado com um tercinho enrolado no pulso esquerdo e pede orações à população. O segundo nome do prefeito foi escolhido por seus pais para homenagear o padre Donizetti (1882-1961), padroeiro da cidade, que está com um processo de beatificação no Vaticano. "Só Deus mesmo para ajudar a gente", desabafa Maria Eni Tezzei da Silva, aposentada de 71 anos, moradora da Vila Padre Donizetti, um dos bairros mais prejudicados. 
O local chega a ficar uma semana sem água. Desde julho, Eni lidera uma novena para chamar a atenção de São Pedro. Todo fim de tarde, um grupo de aproximadamente dez fiéis se reúne aos pés do cruzeiro da paróquia São Sebastião, reza o terço e lê o capítulo Em Tempos de Calamidade e Atribulação do livro Manual de Nossa Senhora Aparecida. Para finalizar o ritual, cada pessoa joga um copo de água na cruz. "Quando chegou a Tambaú, em 1926, o padre Donizetti também sofreu com uma estiagemsemelhante e, após uma novena, choveu e tudo se recuperou", explica Anderson Godoi de Oliveira, pároco do Santuário Nossa Senhora Aparecida. Apesar de manter a fé, ele acredita que a seca só vai acabar quando as pessoas aprenderem a lidar com o meio ambiente.